Latin Amarican Graphic Design

Os melhores, 189 artistas e escritórios de design da América Latina reunidos num livrão de arte que a editora Taschen lançou mundialmente. No Brasil, o lançamento será dia 25 de setembro, mas enquanto isso folheie o livrão de artes aqui! Ôba!

ENTREVISTA – Joni Anderson

Cores…tendências…

O preto!

Joni Anderson é colunista da Folha de São Paulo e me concede uma entrevista exclusiva para o UPDATE.

ANA – Joni! Lí num dos teus artigos que o preto é tendência na moda e decoração e pode durar 10 anos. Depois do “tudo pode” e um mix infinito de tendências você não acha que o preto vem para dar um “pause”, um descanso em tudo isso?

JONI – Parei tudo pra responder estas perguntas; adorei sua abordagem direto ao ponto.

Tanto na moda quanto na decoração, acho que o “tudo pode” não tem prazo de validade e ainda irá continuar dominando por um bom tempo. Há razões claras para isso: o tudo pode tem a ver com o dinheiro curto, o aumento da violência e das nossas desgraças humanas, o mundo interligado pela tecnologia e a velocidade da informação. Por outro lado, o tudo pode também é uma maneira de buscar a exclusividade e a diferenciação. Na decoração, sim o preto sugere uma pausa e ao mesmo tempo (como um coringa clássico) oferece milhares de novas possibilidades. Dentro desta realidade – que já deixou de ser tendência – as pessoas podem adaptar a não-cor da maneira que mais tem a ver com o seu lifestyle: o preto pode ser barroco, dramático, minimalista, moderno, clássico e até romântico e sexy também…É o pano de fundo para o que você quiser e com vida útil prolongada.

ANA – Na cromoterapia o preto instaura poder, proteção… sabe-se que quem veste preto transmite segurança….Os grandes bureaux internacionais de estilo não ditaram preto tão forte como se viu nas passarelas da última temporada. Em questões comportamentais a que você atribui isso?

JONI – Primeiro porque o preto já é uma realidade. Voltou com tudo, suplantou o cinza (que chegou a ser apontado como o novo preto há alguns anos). Além desta corrente, que destaca o preto, há outras preocupações pelo mundo todo. A questão ecológica e a sustentabilidade talvez sejam as mais fortes neste momento. Natural então que também surjam cores diretamente relacionadas à questão ambiental como os verdes das matas e florestas; os azuis, das águas; os crus e terrosos. Somados a elas, surgem outras cores que remetem a um escapismo em contraponto a nossa decadência contemporânea. Moda e decoração, por exemplo, tem uma das tendências fortes em comum no momento: o escapismo, a valorização do esquisito, do surreal; pense em Dalí, na Terra do Nunca, e em filmes como “Labirinto do Fauno” e “Encantada”. Tudo isso misturado e levado as últimas conseqüências. Outro ponto é o maxi-mini, que traz à cena o absurdamente exagerado ou o mínimo do mínimo.

ANA – O preto associado a tribos definidas como punks, darks, emfim ao underground isolava grupos na década de 80. Nos anos 90 o preto se popularizou. A“moda arquipélago” foi se tranformando em “moda metrô”- as pessoas passaram a transitar por entre estilos e a misturar elementos. Nesse sentido o preto uniu tribos. Pode-se dizer que é uma cor com força “espiritual”?

JONI – Diria que o preto, assim como o branco, é cor para iniciados. Rsrsrsr. Já foi cor de contestação, rebeldia, agressividade, inconformidade…mas preto, de fato, é sempre associado a poder e mistério. Hoje o reinado do preto salienta outras características, até mesmo de sensualidade e auto-isolamento. Pensando bem, a cor relacionada aos chacras superiores é o roxo/púrpura e suas matizes; as cores das faixas dos bispos também; a chama violeta não tem o nome á toa, e muitas vestes dos monges budistas têm a cor em destaque. Não faz muito tempo que houve um boom de berinjela/ameixa/roxo/púrpura em tudo da moda. Esta cor entrou também na decoração. Talvez ela sim estivesse indicando nosso sofrimento com questões espirituais ou nossa vontade de nos ligar ao Divino. O preto agora, me parece revelar aspectos como recolhimento, isolamento e anulação. Neste sentido sim, tem força espiritual suficiente para nos deixar em alerta.

ANA – Melhor dizer pretos, ao invés de preto! Existe uma gama extensa de pretos, cinzas e chumbos. É isso que possiblilita um ambiente ser decorado todo nesses tons sem deixá-lo pesado. Qual a cor que você combinaria com este pano de fundo? Por quê?

JONI – Apesar de existir uma gama imensa de preto, acho que um ambiente totalmente black, corporativo ou residencial, precisa de muito estudo. Até porque estará diretamente relacionado com itens importantes ligados ao bem estar como a iluminação. Pessoalmente não teria em minha casa um ambiente 100% assim. Há quase um ano troquei o vermelho pelo preto em algumas paredes do meu apartamento e ele ficou praticamente P&B. Quem realmente gosta ou ficou excitado com a possibilidade de entrar neste universo black, deve ir aos poucos. O melhor a fazer é misturar ou compor um ambiente com diferentes texturas, estampas e volumes em preto. Acho o branco perfeito para estes devaneios. E misturar cores contrastantes, como vermelho, berinjela, cinza, azul pode ser uma saída bacana. Uma parede preta pode se transformar numa galeria de arte, com quadros com fotografia P&B ou coloridas; pode destacar um sofá de couro ou um arranjo de lírios, ou simplesmente receber o home theater da casa. O melhor do preto no décor é saber que, apesar de estrela, ele tem humildade suficiente para assumir uma postura de neutralidade e de coadjuvante, deixando os demais elementos brilharem e a decoração incrível.

Look do desfile feminino de Alexandre Herchcovitch
inspirado em sacos de lixo / 2007

UPDATE NO AR

Artes, comportamento e tendências in vitro!

PERSONAGEM – Último Grito de Djanira


Ela chega com tudo! Livre, não paga-pau em desfiles, eventos ou vernisages por onde entrevista celebridades, fashionistas e transeuntes… Ahh, transeuntes… por eles ela grita porque quer mesmo compactuar com o original, o atual, o último grito.
Grande personagem que vem trazer humor infantil, e rir, rir muito no mundo onde alfinetadas não doem, tesouradas transformam e recriam o fashion em lúdico.
Buscando o inusitado, o inesperado, o autêntico nem que pra isso tenha que reinventar o “jéca”… Djanira pira!

Aguarde O Último Grito!

ARTE Frida Kahlo

“Para que preciso de pés quando tenho asas pra voar?”


Frida Kahlo nasceu e viveu no Mèxico durante a primera revolução popular do
mundo moderno, por volta de 1910, que antecedeu a revolução russa. O que se seguiu foi o Renascimento Mexicano e o país fervilhava de arte, crição e revolução.
Ao longo de sua vi
da, por causa de um acidente, Frida sofre várias operações que lhes deixou paraplégica, e na sua convalescência dedicou-se intensamente à pintura.


Frida não se julgava surrealista. Os artistas dessa escola pintavam o subconsciente, o escondido, o sonho, o irreal, ela pintava as emoções pelo que vivia. Para ela o fantástico era o real, o consciente. Pintava retratos dela mesma e de pessoas de seu convívio. A dor marca toda a sua obra, utilizando uma linguagem visual própria, extrapolando os limites de sua realidade e do universo feminino.


Vestígios pré coloniais.
Outra forte característica do trabalho de Frida Kahlo era o colorido que dava às obras. A invocação da antiga civilização era um gesto político, o interesse pela arte indígena coincidia com um sentimento nacionalista bem presente naquele momento.
É considerada uma das mais importantes pintoras da arte moderna do século XX.

MUST-HAVE inverno 2008

Que venham chuvas e trovões! Nada pior que o cinza e o preto para dias de frio e do inverno!
As galochas!!! Enfim criações pra quem se aventura, caminha, canta na chuva! Elas estão humoradas, coloridas como se convidassem nossos pés para brincar!
Muitas grifes criaram suas versões! Eu fico com essa, azul como o céu por detrás das tempestades.

LIVING GREEN, great necessity

Foto Steven Meisel

Depois de saturado o ambiente urbano com todas as suas exacerbações, sombra e água fresca aos criadores é exigido. Um ar campesino! Enfim meu galo despertador em um momento de fama. As tendências das gran mesons são escalpelantes para naturistas,
Segue alguns ensaios que remetem essa great necessity.

Vogue Itália, fevereiro 2008
Fotografia Steven Meisel
Estilo Karl Tenpler
Make Pat Mc Grath
Cabelo Guido Palau
Modelos Kamila Filipcikova, Eden Clark, Toni Garrn, Agnete Hegelund, Karlie Kloss, e Paul Pavlovska
Despertador de Ana Sieben

RECONCEITO NO AR

Estar atento ao que acontece no mundo das artes, moda, comportamento, publicidade, cinema, ou seja na criação e suas tendências já não basta. É preciso fiscalizar, ser radiacal, não compactuar com o desperdício, a poluição e a exploração de mão-de-obra dos menos privilegiados.
Este espaço está sendo criado para captar, antenar, protestar e apreciar o belo, o que merece estar nas passarelas. A nossa passarela de verdade!
O luxo é não produzir lixo, ou reaproveitar, recriar, ensinar, aprender, enfim evoluir.
Gostar de moda não significa ser escravo de consumo. Consumir com consciência, não transferindo as consequência para ninguém quando nos “damos ao luxo”.
Cores, fios, formas, atitudes fazem a história da moda. A moda se reconceitua quando se faz necessário valorizá-la. A moda não é fútil, ela escreve a história. Se ele é fútil… Precisamos estar atentos. Isso é moda.
A moda é comportamento. O vestuário é só a maneira de se vestir, se colocar, de se definir. Ela precisa ser pensada, não copiada, ser consumida sendo avaliada.
Antenas rigorosas estarão passando por provas de fogos nossas maravilhosas grifes. Elas são criativas, impecáveis em suas engenharias de modelagem, sabem se lançar com criatividade mas precisam passar pelo raio x. A criação de produtos sustentáveis, desde a escolha de matérias-primas ecologicamente corretas, passando pela qualificação de mão-de-obra até a distribuição do resultado final. Devemos valorizar a criatividade com uma moda socialmente justa e ambientalmente correta. Aqui estaremos mostrando o que merece ser visto, sem piedade. Beleza e verdade!

IMPRESSÕES – Uma vida sem cabeça

Diminui o passo quando passei pela Freguesia…não digo que não esperava encontrar o melhor, mas não planejava nada. Apenas uma frase me veio na memoria: “As artes antecedem as grandes transformações!” Por que não um salto quântico? Seria um exagero… Não sei, mas era apenas o que eu tinha ou pelo menos aquilo que eu gostaria ter: Artes!
A arte é uma espécie de remédio, mesmo que o uso seja apenas por momentos, quando se tiver aprendido a essência nem se precisará mais dela… Não podemos negar que comigo levava uma multidão, aliás somos todos um!
Depois de uma longa caminhada constatar ser uma sonhadora não era algo tão inútil , já não esperava tanto. Eis então uma frase tão despretensiosa me levara a um caminho totalmente diferente, mas tão desejado. Descobri que quando menos buscamos mais próximo dos verdadeiros desejos nos encontramos.
Andava por um caminho novo aparentemente sem nada, pois quando eu menos busquei encontrei… ou me encontraram, isso já nem importa mais.
Grandes idéias deixam de ser grandes se sonhada sozinha, por isso me vejo grande! Estava aí toda a chave, a união engrandecia, curava. As artes são uma espécie de “droga sagrada” um remédio. Vejo agora muitas pessoas sorrindo, desejando construir algo que não as exijam tanto…isso é vida! A vida é bem simples!
Viver uma vida sem cabeça! Assim estaremos curados. Pois a cabeça exige, e o coração cura, resolve…E só podemos viver uma vida sem cabeça sendo “loucos”, artistas, sonhadores…
Eis que nesse sentimento me entreguei à correnteza. “A maneira de ser Tao é igual a de um curso de água” diz Lao-Tsé Mover-se sem estagnar, como a água sem ambição que corre terreno abaixo. Ambição requer subir no topo, a água não tem qualquer noção do ego. Entregar-se à correnteza é confiar que a vida fluirá, e confiantes nessa entrega tudo acontece exatamente como deveria.